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Perguntas

É preciso mudar de software por causa da faturação eletrónica?

Em Portugal a conformidade recai sobre o PROGRAMA que EMITE as faturas, e não sobre um canal de envio: é o ponto que mais confusão gera quando se leem artigos traduzidos de outros países. Quem emite faturas tem de o fazer com um programa certificado pela Autoridade Tributária, que atribui a cada documento o seu ATCUD e o respetivo código QR — e isto já está em vigor, não é um prazo por cumprir. Convém por isso separar duas ferramentas: o programa com que EMITE as suas faturas, que tem de cumprir a lei, e a sua ferramenta de GESTÃO diária — obras, intervenções, stock, associados, processos — que não emite faturas e nunca esteve abrangida. Uma aplicação gerada com o Blueprint Maker pertence à segunda categoria, e esta página explica exatamente onde passa a fronteira.

O que é realmente obrigatório, e desde quando

A obrigação não está a chegar: já cá está. Quem emite faturas em Portugal fá-lo através de um programa de faturação certificado pela AT, e cada documento emitido leva o ATCUD — o código único de documento, construído a partir do código de validação da série atribuído pela Autoridade — acompanhado do código QR. A emissão de faturas manuais ficou reservada a casos residuais: em 2026, às empresas com um volume de negócios igual ou inferior a 50 mil euros no período de tributação anterior.

Há um segundo prazo, e é preciso dizer exatamente a que se aplica: diz respeito à faturação para entidades PÚBLICAS (B2G). Pelo Orçamento do Estado para 2026, as PME estão dispensadas de emitir e receber faturas estruturadas até 31 de dezembro de 2026, continuando a ser aceites faturas em PDF; a partir de 1 de janeiro de 2027 passam a ser exigidas faturas estruturadas em CIUS-PT com assinatura digital qualificada. Este calendário já foi adiado várias vezes — confirme as datas junto de fontes oficiais antes de tomar qualquer decisão.

A conformidade recai no programa, não num canal

É a diferença estrutural em relação à reforma francesa, e explica por que razão muitos textos traduzidos induzem em erro cá. Em Portugal não existe um mercado de plataformas acreditadas por onde as faturas tenham de passar e onde a conformidade se resolva: a exigência aplica-se ao próprio programa que emite a fatura — certificação, ATCUD, código QR, ficheiro SAF-T de faturação — e a responsabilidade de o utilizar é de quem emite.

A consequência prática é simples: a pergunta pertinente não é «por onde viajam as minhas faturas?», mas «com que programa as emito, e esse programa está certificado?». Tudo o resto — o que organiza, planeia ou acompanha internamente — é outra conversa.

O que faz uma aplicação gerada, e o que NÃO faz

Uma aplicação gerada trata dos seus dados de trabalho: clientes, obras, intervenções, stock, prazos, indicadores. Pode perfeitamente guardar o acompanhamento das suas faturas como dado de gestão — valor, data, estado do recebimento, cliente associado — e isso é útil para saber quem lhe deve o quê, coisa que o programa de faturação raramente conta.

O que NÃO faz, e convém dizê-lo sem rodeios: não é um programa de faturação certificado pela AT. Não tem número de certificação, não atribui ATCUD, não gera o código QR, não produz o ficheiro SAF-T, não assina nada e não comunica com a Autoridade Tributária. Estas capacidades não existem no produto, pelo que a emissão das suas faturas tem de continuar num programa certificado. É exatamente a mesma fronteira que vale em qualquer outra matéria regulada: a ferramenta ajuda-o a trabalhar, não lhe confere uma conformidade que não tem.

Decidir sem comprar à pressa

O erro caro é aproveitar o tema da faturação eletrónica para substituir de uma só vez todo o seu sistema. A lei exige-lhe um programa certificado para EMITIR faturas; não lhe exige mudar a forma como organiza as suas obras ou o seu armazém.

Separar as duas questões permite-lhe escolher com calma: por um lado, um programa de faturação certificado, com a data de 1 de janeiro de 2027 a marcar o passo seguinte para quem fatura ao Estado; por outro, e sem qualquer urgência legal, a ferramenta de gestão que se ajuste à sua maneira de trabalhar.

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